[depois de george orwell]

•17/04/2015 • Deixe um comentário

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eu sonhei com ganchos e tubarões

não havia mais nada

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no canto de todas as chuvas um porco

sonhava com dias melhores

“não posso mais segurar seus desejos,

a inefabilidade dos seus desejos me oprime

eu desejo tudo o que você deseja”

.

era isso, no prato

no interminável jantar em câmera

lenta, eu minto, sento, o garfo a faca a colher

não há metal que

.

eu sonhei com ganchos e tubarões

acordado enquanto

fodíamos no canto da sala o teto

mar aberto rasgado, chove

.

há por debaixo desse tapete um cemitério exposto ossos expostos fraturas expostas

tudo que comi e vomitei

.

no canto da sala debaixo

da janela através da qual

chove

um porco deseja noites piores

“a assepsia do mundo me mata lenta

sua mania de limpeza me mata lenta

sua delicadeza vencida me oprime”

estávamos em uma fazendo e não

havia mais nada

as cercas e as vacas devoradas e as moscas

eu sonhei com ganchos e tubarões

enquanto você me comia

.

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under the sta(i)rs

•25/11/2014 • Deixe um comentário

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under the sta(i)rs

 

ñ desça até o fim, qrdo

o acesso absoluto é a loucura dos tempos, ou vc

 

não respire embaixo d´ågua ou

devemos aceitar tudo que o câncer nos dá e

nadar?

 

Não decifre a esfinge antes que ela te devore somos mesmo esses corpos destruídos às margens do X e no fim o resultado da última prova é = ao sonho pornográfico interrompido pela mãe decifra-me & I will fuck you……………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………….

 

 

 

dafumaçadatuabocaaoscachosdosteusolhos ;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;; tudo é um eterno parafuso henryjamesiano: mais uma volta, amor, mais uma volta e que a madeira comece a fissurar entre os dedos rotos que a pele comece a rachar entre a madeira podre mais uma volta mesmo que o metal enferrujado comece a perfurar os dentes

 

shhh, shhh

acorde, now, agora

tudo não passa de uma grande padaria virgniawoolfiana

 

 

under_the_stairs

 

 

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•28/08/2014 • Deixe um comentário

dirty_tales

Carta a una señorita em París

•06/07/2014 • Deixe um comentário

Carta a una señorita em París

Brooklyn, 2014

Isso aqui não é Paris, querida.

Isso aqui é uma cozinha engordurada

no canto feio das sereias e todas essas ilhas

jamais

sustentariam suas águas

O novelo gira velocíssimo

Ariadne aguarda no cinema

enquanto o Touro é servido

aos homens que não, jamais

comem

os homens apenas devoram

o perfume que roubam

Isso aqui, querida, barely resembles Paris.

Estávamos nós afundados em navios esqueléticos e mais nada

essa terra úmida engole nossos pés

e nem todos os sorvetes do mundo nos salvariam agora –

aqui, querida,

o vômito é simbólico e o mal-estar constante.

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apenas uma casa

•24/11/2013 • Deixe um comentário

apenas uma casa

club silencio

•29/01/2013 • 1 Comentário

 

beije,

uma última vez,

 

o seu emprego, o seu fogo, o seu demônio;

beije,

uma última vez,

o seu sonho, o seu senso, o seu deus.

 

beije

as cinzas, a fumaça, a guitarra

uma última vez

 

resistirá ao império caído

o delírio do último homem

 

beije

para que nada sobreviva

sal saliva sangue

beije

a terra tórrida

aterra os escombros

uma última vez

 

beije

para que nada se repita

enquanto as luzes giram velozes

beije

 

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através do inferno – 1

•21/12/2012 • 1 Comentário

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todos os barcos à deriva

não há mais pontes

nem nada que sirva para atravessar

 

e os marinheiros e as putas

 

um último jantar

antes que as luzes

antes que os últimos

 

e as cozinheiras e enfermeiras

 

o castelo e as torres

a última gota e a explosão

quantos desmoronamentos ainda?

 

e os príncipes e os soldados

 

a boca que mastiga o chumbo

o ferimento que acolhe o algodão

temos o mesmo peso que o céu, querido

 

e os médicos e os açougueiros

 

todos os cortes costurados

não há nada mais que sangre

nem nada que faça sangrar

 

os demônios e os deuses

 

a guerra em mute

o fim em preto-e-branco

 

os cavalos e a salvação

 

não há nada mais sirva

 

 

 

 

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