apenas uma casa

•24/11/2013 • Deixe um comentário

apenas uma casa

club silencio

•29/01/2013 • 1 Comentário

 

beije,

uma última vez,

 

o seu emprego, o seu fogo, o seu demônio;

beije,

uma última vez,

o seu sonho, o seu senso, o seu deus.

 

beije

as cinzas, a fumaça, a guitarra

uma última vez

 

resistirá ao império caído

o delírio do último homem

 

beije

para que nada sobreviva

sal saliva sangue

beije

a terra tórrida

aterra os escombros

uma última vez

 

beije

para que nada se repita

enquanto as luzes giram velozes

beije

 

§

através do inferno – 1

•21/12/2012 • 1 Comentário

§

 

 

todos os barcos à deriva

não há mais pontes

nem nada que sirva para atravessar

 

e os marinheiros e as putas

 

um último jantar

antes que as luzes

antes que os últimos

 

e as cozinheiras e enfermeiras

 

o castelo e as torres

a última gota e a explosão

quantos desmoronamentos ainda?

 

e os príncipes e os soldados

 

a boca que mastiga o chumbo

o ferimento que acolhe o algodão

temos o mesmo peso que o céu, querido

 

e os médicos e os açougueiros

 

todos os cortes costurados

não há nada mais que sangre

nem nada que faça sangrar

 

os demônios e os deuses

 

a guerra em mute

o fim em preto-e-branco

 

os cavalos e a salvação

 

não há nada mais sirva

 

 

 

 

§

da impossibilidade de subir uma escada

•17/09/2012 • Deixe um comentário

de todos os sonhos

esse foi o pior

 

navios explodem

por todos os portos

ratos avançam

 

estou entre a tempestade e o inferno

aviões explodem no céu azul de setembro

por todos os lados

ratos e restos avançam

y andar arrojando a los cerdos miles de perlas

 

a cruz e a espada

todos os monstros e todos os solados

in my platforms
i hit the floor

 

me acorda,

 

 

 

 

 

§

tori amos – playboy mommy

dos vícios da água – 1

•26/07/2012 • Deixe um comentário

… e sobre a queda

ferido em achar

o seu nome

debaixo da cama,

querido,

amargura em minha boca

sorri seus dentes de chumbo

nunca me negue

açúcar ou vou

voltar

ao

jogo perdido

as complicações

em escrever seu nome

e a queda

o problema em cair

não se importe com os canos

debaixo

enferrujados

eu não era

o homem que eu não era

e o inferno explodiu

por dentro

nas paredes

ou nos cantos

as sereias empalhadas

e os roubos

para justificar as faltas

os carimbos

para refazer o corpo

respirar todo o peso do mundo

§

os cães ao longe

•19/07/2012 • Deixe um comentário

os cães ao longe

repetidos em cromos autocolantes

não posso per(der)(correr) essa distância

até a sua casa

 

o calor gruda

o chiclete

escorre pela minha boca

mais um cigarro e outra e outra e mais outra e mais uma

vez

você me conta, vai, insiste

nessa mesma narrativa barata

esperando que eu durma

que eu vacile nos braços de outro

 

eu mal dou conta de mim

no final do dia, antes de apagar a luz

o último a sair

que faça

no último dia, no final

eu mal dou conta de mim

 

os cães farejam meu corpo

perto demais

assassinos treinados no telhado da escola

miram

é passada a hora, querido,

de retirar o cavalo

 

última poça espelhada antes do sol

fascínio quase doentio

teu dente quebrado

 

tudo explode em câmera lenta

a lenta arte de não te devolver – 1

•09/07/2012 • Deixe um comentário

os pequenos gestos me destroem

aos poucos os pequenos gestos me consomem

seus tênis já não me falam como antes

essa estranha língua

 

anotações sobre o roubo:

1) ser sutil, delicado, quase

2) o brilho nem sempre

3) quantos corpos por um?

 

é apenas a luz refletindo, amor

é apenas a luz através, não vire agora

mas parece

que o seu fantasma atravessou

não vire agora, mas

 

um sopro antes de dormir

um pequeno deus na estante

o cigarro queima lento e agora

o deserto avança sob nossos pés

 

não vou alimentar esse monstro

debaixo da minha cama

ele exige

eu não queria ser mais um

ele arranha o estrado de madeira com dentes e lambe lambe lambelambelambe

até a próxima chuva prometida em dezembro

§