através do inferno – 1

§

 

 

todos os barcos à deriva

não há mais pontes

nem nada que sirva para atravessar

 

e os marinheiros e as putas

 

um último jantar

antes que as luzes

antes que os últimos

 

e as cozinheiras e enfermeiras

 

o castelo e as torres

a última gota e a explosão

quantos desmoronamentos ainda?

 

e os príncipes e os soldados

 

a boca que mastiga o chumbo

o ferimento que acolhe o algodão

temos o mesmo peso que o céu, querido

 

e os médicos e os açougueiros

 

todos os cortes costurados

não há nada mais que sangre

nem nada que faça sangrar

 

os demônios e os deuses

 

a guerra em mute

o fim em preto-e-branco

 

os cavalos e a salvação

 

não há nada mais sirva

 

 

 

 

§

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~ por autor em 21/12/2012.

Uma resposta to “através do inferno – 1”

  1. Se nada mais há, cria!

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