•06/08/2017 • Deixe um comentário

some fucking poetry

•06/08/2017 • Deixe um comentário

era um chiclete,

mentira

um bandaid de hello kitty

usado, largado, arrancado

perto dos ovos

 

não havia mais nada

em todo o universo

e os peixes pendurados

enormes ganchos enferrujados

perfurando os lábios e as escamas

reluzindo no sol frio de agosto

aqueles olhos, aquele olhar

de peixe morto

 

foi assim que eu esqueci

de respirar

 

 

 

 

§

la última vez que fui hombre

•11/06/2016 • Deixe um comentário

no me recuerdo la última vez que fui hombre! yo soy una nueva amalgama de subjetividades sexuales
vou ficar na cama & escrever uma pós-poesia

chamada dor de drone

e que vai começar assim outro dia entraram no meu quarto mas ñ era eu
e vai acabar assim ñ há paixão que queime esse silício todo
calaboca
calaboca!
eles estão no perímetro do tiranossauro
Ó! sr deus dos clonados
deixe-me mamar nas tetas de dolly e beber esse leite idêntico
ao leite derramado
‘stamos em pleno mar

/pós-poesia. técnica mista. grupo de whatsapp. 02.06.2016/

 

falar-se, ñ

•10/03/2016 • Deixe um comentário
“Ariadne:
Falar é falar-se.”
Julio Cortázar, Os Reis

 

 

não se pode mais falar

não se pode mais tecer

meus delicados fios da morte

 

estamos mudos com dedos frágeis

 

não se pode mais olhar

olhos nos olhos, quero ver o que você diz –

pedra

 

não se pode mais andar

vai ser, vai ser, vai ter de ser, vai ser

faca amolada

 

escorpiões e aranhas e ratos, oh my!

 

não se pode mais chorar

não se pode mais olhar para trás

sal

 

somos o nosso peso em medo

 

ossos correm em teclas que não

realmente não existem

nossos tímpanos furados, sangrados

não ouvem mais nada além

da repetitiva cadência rítmica do nosso coração

 

 

 

 

 

 

horas assim

•17/01/2016 • Deixe um comentário

horas assim

e a cama não se desfaz sozinha

as linhas e os gatos no telhados

não deixam que eu me desfaça

 

horas e horas

a chuva não seca e as roupas

demoram

as larvas avançam na pia e o resto

 

o relógio alimenta

lento

meu ódio

seco

 

não resta um punhado dessa areia

tão seca, tão dura

tão doce na qual você

se lava –

as larvas avançam sobre seus olhos fechados

cerrados

você finge que dorme eu simulo o seu dia seguinte

na correria que não acontece, os filhos que não temos

 

horas assim

teço o manto com o qual

te espero

horas e horas e a coberta

o nosso fio cortado

[depois de george orwell]

•17/04/2015 • Deixe um comentário

§

eu sonhei com ganchos e tubarões

não havia mais nada

.

no canto de todas as chuvas um porco

sonhava com dias melhores

“não posso mais segurar seus desejos,

a inefabilidade dos seus desejos me oprime

eu desejo tudo o que você deseja”

.

era isso, no prato

no interminável jantar em câmera

lenta, eu minto, sento, o garfo a faca a colher

não há metal que

.

eu sonhei com ganchos e tubarões

acordado enquanto

fodíamos no canto da sala o teto

mar aberto rasgado, chove

.

há por debaixo desse tapete um cemitério exposto ossos expostos fraturas expostas

tudo que comi e vomitei

.

no canto da sala debaixo

da janela através da qual

chove

um porco deseja noites piores

“a assepsia do mundo me mata lenta

sua mania de limpeza me mata lenta

sua delicadeza vencida me oprime”

estávamos em uma fazendo e não

havia mais nada

as cercas e as vacas devoradas e as moscas

eu sonhei com ganchos e tubarões

enquanto você me comia

.

§

§

§

§

§

§

under the sta(i)rs

•25/11/2014 • Deixe um comentário

.

 

 

 

under the sta(i)rs

 

ñ desça até o fim, qrdo

o acesso absoluto é a loucura dos tempos, ou vc

 

não respire embaixo d´ågua ou

devemos aceitar tudo que o câncer nos dá e

nadar?

 

Não decifre a esfinge antes que ela te devore somos mesmo esses corpos destruídos às margens do X e no fim o resultado da última prova é = ao sonho pornográfico interrompido pela mãe decifra-me & I will fuck you……………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………….

 

 

 

dafumaçadatuabocaaoscachosdosteusolhos ;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;; tudo é um eterno parafuso henryjamesiano: mais uma volta, amor, mais uma volta e que a madeira comece a fissurar entre os dedos rotos que a pele comece a rachar entre a madeira podre mais uma volta mesmo que o metal enferrujado comece a perfurar os dentes

 

shhh, shhh

acorde, now, agora

tudo não passa de uma grande padaria virgniawoolfiana

 

 

under_the_stairs

 

 

§