cemitério,
outro dia, outro
pássaro morto enquanto ele
atira pedras e as telhas racham e os vidros explodem
sentado nos braços de estátuas que suportam
cego como o último pássaro
ele atira pedras
delicadas rendas negras escorrem sob a chuva através de olhos cinzas
estou
outro
sentado nessa terrível árvore de apenas uma última fruta
eternamente uma última fruta
enquanto o céu range
sob nossos pés os ossos de mais
pássaros
minha matemática falha não permite
a língua cruza as minhas costas
falam da última respiração e da saída
a lentidão da queda é apenas uma questão de ponto de vista
outro dia, outro
pássaro morto enquanto ele
tece o manto interminável
cujo propósito se perde e perde-se
nos braços de estátuas que suportam o peso
estou outra vez
dentro
enquanto os vidros explodem e os canos arrebentam e as paredes racham e o teto desaba e a tinta descasca e os tacos estalam e as portas rangem e os espelhos e os relâmpagos e os demônios e os cachorros e os soldados e os cavalos enterrados no jardim,

2012 de muita poesia para nós