cemitério,

 

 

outro dia, outro

pássaro morto enquanto ele

atira pedras e as telhas racham e os vidros explodem

sentado nos braços de estátuas que suportam

cego como o último pássaro

ele atira pedras

 

delicadas rendas negras escorrem sob a chuva através de olhos cinzas

 

estou

outro

sentado nessa terrível árvore de apenas uma última fruta

eternamente uma última fruta

enquanto o céu range

sob nossos pés os ossos de mais

pássaros

minha matemática falha não permite

a língua cruza as minhas costas

falam da última respiração e da saída

 

a lentidão da queda é apenas uma questão de ponto de vista

 

outro dia, outro

pássaro morto enquanto ele

tece o manto interminável

cujo propósito se perde e perde-se

nos braços de estátuas que suportam o peso

 

estou outra vez

dentro

enquanto os vidros explodem e os canos arrebentam e as paredes racham e o teto desaba e a tinta descasca e os tacos estalam e as portas rangem e os espelhos e os relâmpagos e os demônios e os cachorros e os soldados e os cavalos enterrados no jardim,

 

 

 

~ por d.p. em 28/11/2011.

Uma resposta to “cemitério,”

  1. 2012 de muita poesia para nós

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