enquanto minha casa
café. enquanto a minha casa queima
[ as i let down my body ]
ou você não ouviu meus ossos estalarem. rangerem e me amassou
de propósito
sem razão,
querido: agora derrama essa tua língua
agora que eu já não posso.
[ as i go under to take ]
café
e o que estava escrito
no fundo [ as deep as i go ]
mas para me ferir entre as linhas
quem sabe arranhado
mudo
apostando esse silêncio
meu peso em ouro, amor
em outro
qualquer porta. qualquer palavra ingerida
meu corpo pele antes que eu deite no chão no
poste no meio do fio.
existe nessa forma intermediária
outro jeito?
(em 04/02/2005).
§
Enquanto Minha Casa Queima
Derrama essa tua língua.
Agora que eu já não posso.
Quem sabe arranhado ou mudo, apostando esse silêncio: meu peso em ouro.
Cirurgia fracassada.
…e durante as tentativas houve um furo: ela não viu o tigre passar. Claro que foi apenas uma metáfora muito barata, mas o dinheiro não permitiu, então:
tive que engolir essas pílulas, mesmo sem saber o ponto crucial: a dor de cabeça permaneceu a noite toda.
(torções)
Reviravoltas nos lençóis: joguei tudo pela janela e agora desenho no meu corpo pra manter um registro de sanidade.
Notas na parede:
odeio quando o universo abre a boca;
por favor, deixe os sapatos pendurados, há muito espaço;
os fios de alta tensão nunca funcionam.
Entrego os pontos.
Besteira pular de cirurgião em cirurgião.
Secando lençóis em dia de chuva. Me engole agora porque eu não tenho mais tempo.
Os soldados avançam enquanto a gente fala.
Nada mais que um pouco de açúcar e a gente se salva.
Sobre a mesa, ainda não de manhã, um prato.
Sobre o prato, sujo, uma maçã.
Cortada.
É hora de recolher os ossos. Ele desce, a calça jeans arrasta.
Tiros.
Os vidros estilhaçam.
Essa casa não sustenta mais: todo o cimento, todos os gravetos, os barbantes, todas as formas de isolar; os vazamentos e as rachaduras; as dobradiças e tudo que foi cinicamente ajeitado.
As peças estão saindo do lugar dramaticamente.
Seus cavalos devorados no jardim.
(outra versão).
§
(link para um visual poem)
