dentro
de dentro das paredes dos sonhos consumidos rasgados
de dentro das paredes internas dos sonhos vencidos no fundo dos armários, da geladeira
de dentro do fundo remoto dos seus olhos assassinos
do lado de dentro das paredes que recobrem teus infernos
das mãos que abortam teus filhos
do lado dentro das paredes que protegem teus infernos
dos monstros que lambem tuas feridas e cauterizam teus cortes profundos
dos cirurgiões que te reorganizam
dos corpos que (me) te assombram
dos vícios nas paredes
rasgo
de dentro das paredes as infiltrações explodem
de dentro das paredes teus olhos cauterizados
do fundo da tua boca
da tua língua
da mãe que renegou o monstro
de dentro das paredes a carne de dentro se ramificando em lágrimas negras
de dentro de todos os outros que me devoram no jardim de infância
