cemitério,

•28/11/2011 • Deixe um comentário

 

 

outro dia, outro

pássaro morto enquanto ele

atira pedras e as telhas racham e os vidros explodem

sentado nos braços de estátuas que suportam

cego como o último pássaro

ele atira pedras

 

delicadas rendas negras escorrem sob a chuva através de olhos cinzas

 

estou

outro

sentado nessa terrível árvore de apenas uma última fruta

eternamente uma última fruta

enquanto o céu range

sob nossos pés os ossos de mais

pássaros

minha matemática falha não permite

a língua cruza as minhas costas

falam da última respiração e da saída

 

a lentidão da queda é apenas uma questão de ponto de vista

 

outro dia, outro

pássaro morto enquanto ele

tece o manto interminável

cujo propósito se perde e perde-se

nos braços de estátuas que suportam o peso

 

estou outra vez

dentro

enquanto os vidros explodem e os canos arrebentam e as paredes racham e o teto desaba e a tinta descasca e os tacos estalam e as portas rangem e os espelhos e os relâmpagos e os demônios e os cachorros e os soldados e os cavalos enterrados no jardim,

 

 

 

the dramatic curve

•07/11/2011 • Deixe um comentário

lentamente as paredes

•30/10/2011 • 1 Comentário

 

 

 

 

aqui de dentro

através dessas grades

bicos arrancam pedaços

da última instância

 

lentamente as paredes

as infiltrações avançam como delicados filetes de sangue

estamos atrás de todos os deuses

que,

famintos,

devoram cegamente

 

é apenas o último cigarro

deliberadamente

a sua boca rasgada

seus olhos furados

através da fumaça e do escândalo

do sonho da noite passada

 

através das paredes

lentamente

transformam-se em pesadelos

 

 

 

 

 

 

chove apocalipticamente

•03/10/2011 • Deixe um comentário

chove apocalipticamente

mentira nessas escadas, não é você

quem ouve cobre

o rosto com o resto que te sobra

§

no último risco

repetição das imagens incendiadas no banheiro

obtuso o sonho

mais uma padaria antes das 4 da manhã

 

 

 

 

 

 

enquanto minha casa

•03/06/2011 • Deixe um comentário

café. enquanto a minha casa queima

[ as i let down my body ]

ou você não ouviu meus ossos estalarem. rangerem e me amassou

de propósito

sem razão,

querido: agora derrama essa tua língua

agora que eu já não posso.

[ as i go under to take ]

café

e o que estava escrito

no fundo [ as deep as i go ]

mas para me ferir entre as linhas

quem sabe arranhado

mudo

apostando esse silêncio

meu peso em ouro, amor

em outro

qualquer porta. qualquer palavra ingerida

meu corpo pele antes que eu deite no chão no

poste no meio do fio.

existe nessa forma intermediária

outro jeito?

(em 04/02/2005).

§

Enquanto Minha Casa Queima

Derrama essa tua língua.

Agora que eu já não posso.

Quem sabe arranhado ou mudo, apostando esse silêncio: meu peso em ouro.

Cirurgia fracassada.

…e durante as tentativas houve um furo: ela não viu o tigre passar. Claro que foi apenas uma metáfora muito barata, mas o dinheiro não permitiu, então:

tive que engolir essas pílulas, mesmo sem saber o ponto crucial: a dor de cabeça permaneceu a noite toda.

(torções)

Reviravoltas nos lençóis: joguei tudo pela janela e agora desenho no meu corpo pra manter um registro de sanidade.

Notas na parede:

odeio quando o universo abre a boca;

por favor, deixe os sapatos pendurados, há muito espaço;

os fios de alta tensão nunca funcionam.


Entrego os pontos.

Besteira pular de cirurgião em cirurgião.

Secando lençóis em dia de chuva. Me engole agora porque eu não tenho mais tempo.

Os soldados avançam enquanto a gente fala.

Nada mais que um pouco de açúcar e a gente se salva.

Sobre a mesa, ainda não de manhã, um prato.

Sobre o prato, sujo, uma maçã.

Cortada.

É hora de recolher os ossos. Ele desce, a calça jeans arrasta.

Tiros.

Os vidros estilhaçam.

Essa casa não sustenta mais: todo o cimento, todos os gravetos, os barbantes, todas as formas de isolar; os vazamentos e as rachaduras; as dobradiças e tudo que foi cinicamente ajeitado.

As peças estão saindo do lugar dramaticamente.

Seus cavalos devorados no jardim.

(outra versão).

§

(link para um visual poem)

enquanto_minha_casa_queima

dentro

•28/05/2011 • Deixe um comentário

de dentro das paredes dos sonhos consumidos rasgados

de dentro das paredes internas dos sonhos vencidos no fundo dos armários, da geladeira

de dentro do fundo remoto dos seus olhos assassinos

do lado de dentro das paredes que recobrem teus infernos

das mãos que abortam teus filhos

do lado dentro das paredes que protegem teus infernos

dos monstros que lambem tuas feridas e cauterizam teus cortes profundos

dos cirurgiões que te reorganizam

dos corpos que (me) te assombram

dos vícios nas paredes

 

rasgo

de dentro das paredes as infiltrações explodem

de dentro das paredes teus olhos cauterizados

do fundo da tua boca

da tua língua

da mãe que renegou o monstro

de dentro das paredes a carne de dentro se ramificando em lágrimas negras

de dentro de todos os outros que me devoram no jardim de infância

claustrofobia 1

•28/05/2011 • Deixe um comentário

vem,

entra enquanto ainda há tempo –

(os relógios quebrados; minto compulsivamente para fotografar o que me resta)

enquanto ainda está quente

o cadáver esfria no instante do clique.

outra vez vago, pueril, incompleto o teu corpo

enquanto ainda há paredes

a única coisa que me importa é te manter vivo

até que você esteja morto.

vem, entra.

aqui há room para todos que você trouxer

para todos que você amar

(eu sou um monstro que lambe tuas feridas)

- pode trazer teus amantes que aqui

há espaço para todos.

vem,

entra. que estamos na porta de mais um abismo.

anoitece

•11/10/2010 • 1 Comentário

todos os dias de chuva

•11/10/2010 • Deixe um comentário

no canto esquerdo do sofá

•26/09/2010 • 1 Comentário

no canto esquerdo do sofá

não há sol

não pense que seus lindos cachos vão desfazer meus sonhos

seus motores parados

não há gasolina que resista ao fósforo

estamos no meio de um tiroteio e não há fuga – estamos mortos e nem percebemos

seus lábios entreabertos

seus dentes

minha língua mordida

aqui todos resistem ao sono

último recurso, acesso através da última saída

não vamos repetir a dose, mais uma pílula e um esquecimento na estante

 
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