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ele desenhou um sol
nos meus ossos
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§
tudo que ele me pede
é inverossímel
(há um rastro obscuro de verdade, espécie de sangue, botas, ladrilhos…)
tudo que ele me pede assim
de canto de boca
a língua parada nos dentes
lenta
o cigarro pesado nos dedos
lento
a cadeira, o telefone, o andar debaixo
meu filho largado no elevador,
entre as grades; meu filho devorado antes.
§
os soldados avançam, os heróis avançam, as moças fecham as janelas e os poetas queimam os livros.
agora que o mundo é uma cópia barata,
agora que estamos cegos no meio de mais uma guerra.
Os soldados de Cristo avançam com cruzes e espadas (soldam o veneno no corpo);
“… mas apenas ao obscuro pregador da Galiléia…”
§
Através de saídas, portas e portas fechadas
os rostos fogem para outras profundezas e nossos nomes, querido,
vencidos, rasgados, anotados em fins
de páginas amareladas,
no esquecem.
somos corpos. carbonizados no último incêndio de um prédio (torre) infinito. deixem que os aviões…
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§
antes que o monstro
entre
todas as portas e janelas
todas as frestas
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na outra extremidade outra extremidade
§
mais um desses ácidos corrosivos
§
ele avança
eu
contra a parede
contra todas as paredes
§
outro pesadelo, dessa vez com ele no pátio do colégio. sangue, minha camisa rasgada, o beijo no canto. o monstro nem sempre é o mesmo.
§
belo
tenho todos os ferimentos
[para Ana C. e Manuel B.]